Shawn Layden, ex-presidente da Sony Interactive Entertainment America e antigo chefe da PlayStation Worldwide Studios, acredita que o Xbox chegou a um ponto decisivo de sua história. Em entrevista ao podcast The Expansion Pass, o executivo comparou a situação atual da divisão de games da Microsoft ao momento vivido pela Sega antes de abandonar o mercado de consoles.

Para Layden, a Microsoft precisa definir com mais clareza qual papel pretende ocupar na indústria: voltar a investir agressivamente no Xbox como plataforma capaz de competir com o PlayStation ou aproveitar a enorme estrutura construída com aquisições como Activision Blizzard e Bethesda para concentrar esforços na publicação de jogos.

“Você precisa escolher um caminho”

Segundo ele, continuar disputando o mercado de consoles exigiria decisões importantes sobre exclusividade e maneiras de incentivar publishers terceirizadas a oferecer suporte significativo ao ecossistema Xbox.

“Ou você será uma plataforma competitiva com o PlayStation — algo que o Xbox não tem sido há anos, mas que ainda não está fora de questão. Você ainda pode tentar novamente”

A outra possibilidade seria uma transformação semelhante à realizada pela Sega em 2001. Após o desempenho comercial do Dreamcast, a companhia deixou de produzir consoles e passou a concentrar seus negócios no desenvolvimento e publicação de jogos para diferentes plataformas.

“Talvez você perceba que é a maior publisher de games do mundo — talvez a Tencent seja maior, mas, no Ocidente, você é a maior, com Activision, Blizzard, Bethesda e todas as outras partes. Seja isso. Este é o seu momento Dreamcast”

Comparação acontece durante grande reestruturação do Xbox

A declaração chega em meio à maior reorganização da história recente do Xbox. Sob a liderança da CEO Asha Sharma, a Microsoft anunciou em julho um plano para eliminar aproximadamente 3.200 cargos ao longo do ano fiscal de 2027, além de reduzir e reorganizar parte de sua estrutura de estúdios.

Ao mesmo tempo, a estratégia multiplataforma da Microsoft continua levando algumas de suas principais propriedades para outros consoles, diminuindo progressivamente a antiga dependência de exclusivos como principal argumento de venda do Xbox.

Isso não significa, porém, que a Microsoft tenha decidido abandonar o hardware. A empresa continua trabalhando em sua próxima geração e seus executivos reiteram publicamente que consoles permanecem nos planos da divisão.

É justamente essa combinação que sustenta o questionamento de Layden: para ele, manter um Xbox próprio continua sendo possível, mas exigirá que a Microsoft deixe mais claro quais vantagens justificam a existência da plataforma diante de uma estratégia cada vez mais centrada na distribuição de seus jogos para diferentes dispositivos.

Comente qual o caminho que você acha que o Xbox deve tomar.