Lançado em 2006, Bully se tornou um dos jogos mais queridos da Rockstar Games, mas seu desenvolvimento esteve longe de ser tranquilo. Em entrevista à IGN, Dan Houser, cofundador e ex-vice-presidente da empresa, revelou que o projeto enfrentou dificuldades constantes e quase não conseguiu encontrar sua própria identidade.
“O desenvolvimento foi difícil. O jogo enfrentou problemas o tempo todo. Era um conceito ousado. Eu não tinha certeza se ficaria bom. As peças só se encaixaram bem tarde no processo.”
Um dos maiores desafios era adaptar a fórmula de mundo aberto de GTA para o ambiente escolar, sem carros ou armas de fogo.
“A questão era: se você tira os carros e as armas, o que sobra do jogo? O que você faz?”

A solução começou a surgir com a implementação do calendário escolar, das aulas e de pequenas interações entre os estudantes. Houser destacou especialmente uma mecânica em que o jogador podia colar um bilhete escrito “Chute-me” nas costas de outro personagem, fazendo com que um NPC corresse para chutá-lo.
“Ver aquilo funcionando foi um momento incrível. Foi aí que percebi que estávamos no caminho certo.”
Além das dificuldades criativas, Bully enfrentou fortes críticas antes mesmo de chegar às lojas. O histórico de controvérsias da Rockstar, especialmente após o escândalo Hot Coffee de GTA: San Andreas, provocou receios sobre o conteúdo de um jogo ambientado em uma escola.

“Houve uma histeria enorme em torno dele. Passamos a maior parte de 2006 tentando contornar a situação, então não conseguimos promover o jogo de forma positiva como normalmente faríamos.”
Apesar dos obstáculos, Houser elogiou o trabalho da equipe e considera que o resultado final foi excelente.
Vinte anos depois, Bully continua sem uma sequência. Mas, considerando o sofrimento necessário para colocar Jimmy Hopkins na escola, talvez a Rockstar ainda esteja se recuperando daquele ano letivo.
Fonte: IGN
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